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Segredo revelado

Segredo revelado

28.09.10

o dia vai longo


segredo_revelado

Ora, antes que a pasta dos rascunhos fique cheia demais, toca a esvaziá-la, libertando-a do peso e espaço de posts que já foram escritos há algum tempo atrás.

Este é um desses posts que quase já tem teias de aranha e cheiro a mofo , de tanto tempo que esteve guardado, à espera de...nem sei bem quem ou quê. Talvez não esperasse nada mais que alguma serenidade da minha parte.

É bom que, neste dia em que o publico,o meu estado de espírito seja muito diferente, para melhor, daquele que era no dia em que o escrevi, num certo dia de Outubro de 2009, quase há um ano.

Já é considerado uma antiguidade...

.............

 

O dia já vai longo. Quase tão longas como o dia, vão as ideias soltas que me fazem manter o cérebro hiperactivo.

O corpo, cansado,dá sinais de desgaste, pedindo uma noite, com um mínimo de 12 horas de sono, bem dormida.

A cabeça está pesada, mas as ideias estão a flutuar sem destino definido. Umas vão para cima...Outras descem...Esquerda...Direita...Ziguezague e marcha atrás. Confusão geral!

O desassossego toma conta de mim e não me deixa descansar. Penso em tudo e nada ao mesmo tempo, como se amanhã não fosse  ver o Sol nascer e não pudesse mais pensar.

No meu álbum de fotos mentais, revejo quem já se foi. Continuam sorridentes, felizes e contentes, tal e qual como os quero lembrar.

Entre várias emoções, sinto saudade...sinto dor...sinto amor...sinto que, a pouco e pouco, por vários motivos, me vejo forçado a despedir-me de quem gosto.

Dizem que a morte faz parte do percurso natural  da vida do ser humano, como se isso fosse o bastante para fazer esquecer aqueles que a morte nos ''rouba''. Numa fraca tentativa de consolo e apaziguamento de dor, há sempre quem diga que foram para um lugar melhor e que estão sempre connosco. Será?!! Cada vez tenho mais dúvidas que haja esse lugar.O melhor lugar possível para alguém estar, é junto daqueles que ama e que o amam.

Qual será o meu maior pecado? Será, em tempos, ter aceite como certezas indiscutíveis a existência de Deus e de Paraíso?Ou será, mais recentemente, questionar muitas coisas que nunca tinha ousado colocar em causa?

Dizem que a distância não mata a amizade ou o amor, mas, lá no fundo, sabemos que nada vai ser como antes. Matar não mata, mas faz feridas profundas.

Telefona...Manda mensagem...Quando tiver instalada/o, falamos. Pois!! E quando te voltarei a abraçar? Quando é que vou poder voltar a chegar de mansinho, sem que te dês conta, e fazer buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuhh?!

Lembro-me de coisas que já pareciam esquecidas, de tão fundas que estavam guardadas.É estranha esta nossa capacidade de esquecer e lembrar conforme o nosso estado de espírito.

Quem sou?De onde venho? Para onde vou?

Sei quem sou, embora às vezes pareça não me conhecer. Sei de onde venho, apesar de não lembrar cada passo que dei até chegar aqui. Para onde vou? Não sei! Sei que vou em frente na idade, pois essa não pára para ninguém, mas não sei o sitio para onde quero ir.

Estagnei a meio do caminho. Não recuo, mas também não avanço. Estar aqui, sem arriscar nada, é uma situação cómoda, porém desconfortável. Esta falsa sensação de que aqui há segurança e estabilidade é uma óptima desculpa para não ousar. Mas...e se um dia o comboio vier na minha direcção, será que vou continuar sem me mexer? O futuro o dirá. 

Um dia, não sei quando, tenho mesmo que começar a aprender a usar as 2 mãos para teclar. Talvez assim consiga escrever tão rapidamente como penso. Hoje, não sei porquê, é um desses dias em que, de tantos pensamentos que me vêm à cabeça, não consigo organizar as ideias em condições.

Se calhar nunca estiveram organizadas!

 

 

 

 

 

 

segredo revelado: O dia vai longo. A noite vai longa, parecendo não ter fim.Vou tentar descansar.

20.09.10

o carteiro toca sempre 2 vezes


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Já nem me lembro quando, nem para quem e nem porquê escrevi uma carta pela última vez.

Os selos, o papel e a caneta parecem objectos jurássicos, caídos no esquecimento de muitos de nós. Hoje em dia , com a proliferação dos mais variados meios de comunicação à distância, são cada vez menos os que despendem uns quantos minutos a escrever uma carta.

Se fossemos ver a caixa de correio de milhões de portugueses veríamos lá muitas cartas , mas a maioria delas são facturas, o que demonstra bem o quão pouco se escrevem cartas manuscritas.

Actualmente , ao contrário de tempos já idos, todos se queixam da falta de tempo para fazer até as tarefas mais básicas. Se falta tempo para passar com os filhos , com os pais, com os amigos e com aqueles que nos acarinham, nem é de estranhar que falte tempo e vontade de escrever uma carta a alguém. Pega-se no telemóvel, liga-se o computador...puuuff...temos comunicação imediata e directa, por maior que seja a distância entre pessoas.

A tecnologia tem evoluído tanto , que, se assim o desejarmos , além da comunicação através da voz e da escrita no teclado, podemos ter uma comunicação visual, através de uma webcam ou do telemóvel.

Com todo este facilitismo e comodidade em contactar com alguém , quem se dá ao trabalho de escrever, meter selo , meter a carta nos correios e esperar uma carta como resposta à que enviou?! Poucos , tão poucos. Cada vez menos.

Tenho estado a ver se me lembro da última carta que escrevi , mas está realmente difícil. Agora , já nem nas épocas festivas( Natal, Páscoa, Ano Novo) , nem nos aniversários de familiares e amigos mando cartas ou postais. Agora, assumindo o meu lugar na lista daqueles que usam outros meios de comunicação , opto por telefonar , mandar mensagem ou enviar email.

Apesar de recorrer a essas formas de comunicação , ainda não caio na tentação, que a mim me desagrada, de enviar mensagens e emails com frases padrão, daquelas que se escolhem num catálogo na internet e que assumimos como nossas. Posso não ''perder'' tempo a escrever uma carta , mas ''perco'' todo o tempo a escrever uma mensagem personalizada, como se fosse um alfaiate a fazer um fato apropriado para aquela pessoa,só para ela.

 

 

 

Ora, mas afinal quando escrevi eu a última carta?! Sinceramente , não me lembro. Se não me lembro, quase de certeza foi há muuuiiiiito tempo.

Não me lembro da última carta , mas tenho bem presente na memória, apesar dos anos que já passaram , a quantidade de cartas que escrevia e que recebia de um amigo e vizinho de infância, que, por volta dos nossos 11 ou 12 anos, emigrou para terras do tio Sam. No sótão, algures numa caixa perdida entre tantas outras, ainda sobrevivem muitas dessas cartas. Uns anitos mais tarde, devido a uma mudança de residência dele, acabámos por perder contacto.

Uma outra fase em que escrevi muitas cartas , foi quando frequentava o inicio do ensino secundário. Antigo como sou , ainda sou do tempo da existência dos penpals, que não só permitiam o estudo da lingua inglesa, como também permitiam o contacto com outros jovens da nossa idade , mas a viverem noutros países , em realidades muito diferentes da nossa. Uma experiência enriquecedora , sem dúvidas!

E cartas de amor, quem as não escreveu? Eu escrevi umas poucas. As que me foram escritas foram bem menos, que cá o moço não despertava muito as hormonas do sexo oposto. Das que recebi , entre livros e cadernos empoeirados, guardo-as também. Vai ser giro, já velhinho e meio caquéctico, poder relê-las. Sei , de fonte segura, que algumas das que escrevi nos tempos de escola ainda resistem ao tempo e à fogueira, apesar da destinatária já ser mãe. Mãe, mas ainda tão bonita e parecida com a Pocahontas, como era então.

Saudosismos à parte , porque, inevitavelmente, o tempo passa e as vidas e os sentimentos mudam, é com alegria que sei que alguém guardou algo escrito por mim, há muito tempo. Os sentimentos mudaram, eu e ela mudámos, mas as palavras naquelas cartas e bilhetes permanecem as mesmas, indiferentes à passagem dos anos.

É essa uma das grandes ''magias'' das cartas manuscritas : conservam e despertam memórias e vivências. É pena que hoje em dia se apaguem essas memórias com a mesma facilidade que se apaga uma sms ou um email.

Uma carta , porque para se rasgar tem de segurar, tem de se tocar, de se ver, quiçá, ler um pouco, é muito mais difícil de eliminar. Tem uma presença física e palpável...tem a letra de alguém que queremos ou quisemos bem...tem , nalguns casos, um cheiro especial...Resumindo, tem um pouco de nós e de mais alguém.

Quem rasgaria com facilidade, sem pensar 2 vezes, um pedaço de nós ou de alguém?

E é com esta pergunta que acabo o post , sem ainda me conseguir lembrar de qual foi a última carta que escrevi. A PDI é tramada!

 

 

 

segredo revelado: Dei por mim a pensar : Será que estes posts que aqui vou escrevendo, podem ser considerados cartas?

Não há papel, caneta e nem há selos. Muitas das vezes , nem sequer há um destinatário directo. São cartas ''privadas'', mas abertas ao público. São cartas escritas a desconhecidos, que, por sua vez, as recebem de um desconhecido também.

Serão cartas? Se forem , então foi hoje o dia em que escrevi a última carta.

....

 

"Escrever cartas é a maneira mais deliciosa de perder tempo." (John Morley).

 

"Assim como as chaves abrem cofres, as cartas abrem corações." (James Howell)

 

 

 

15.09.10

''Só é tua a loucura Onde, com lucidez, te reconheças...''


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Somos um país pobre em muitas vertentes da nossa sociedade e história colectiva , mas se há vertente onde se encontram muitas e boas razões para nos sentirmos ricos , essa vertente é a nossa riqueza cultural.

Não temos um Shakespeare , nem um Dario Fo, nem Paulo Coelho , Jorge Amado, John Steinbeck, nem tantos outros autores de renome  internacional , mas temos Camões, temos Fernando Pessoa e seus heterónimos, temos Bocage, temos José Rodrigues dos Santos, temos Miguel Esteves Cardoso , Rita Ferro, temos Saramago, temos Mia Couto, que é um moçambicano portuga, e temos muitos e muitos mais, tal como Miguel Torga.

Confesso que não conhecia este poema da autoria de Miguel Torga, mas , porque alguém me citou a frase que dá o titulo a este post, tive a curiosidade de ir pesquisar, até descobrir que fazia parte deste poema , de seu nome '' Sísifo''. Gostei tanto do que li , que aqui partilho convosco o poema.

A titulo de curiosidade, para todos aqueles que, tal como eu , desconhecem o que ou quem é Sísifo, fica aqui a informação.

Sísifo - ''uma personagem da mitologia grega , condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, só para vê-la rolar para baixo novamente.''

Quando lerem o poema , vão perceber a associação entre Sísifo e a própria mensagem do poema.

Espero que gostem tanto como eu. 

 

 

 

Recomeça...

 

Se puderes

Sem angústia

E sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,

Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo

O logro da aventura.

És homem , não te esqueças!

Só é tua a loucura onde, com lucidez, te reconheças...

 

Miguel Torga

 

 

 

 

 

 

 
 
segredo revelado: Será que me consigo reconhecer na minha loucura, com lucidez ? Ou será que sou mais um daqueles loucos que simula a sua própria sanidade e capacidade de a manter?
Ao contrário daquilo que Miguel Torga aconselha no seu poema, há frutos dos quais nem quero metade. Tenho medo de os colher, de os provar...Isso faz de mim mais louco ou mais são?
Não esperavam que fosse eu a responder, pois não? :P 

09.09.10

''I don't believe you''


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Ando cá com uma vontadinha de poder dizer, alto e bom som, a frase que dá titulo a este post.
Não vos dá também vontade de dizer a umas quantas pessoas ,que não acreditam nelas?!
Invejo aqueles que, fugindo um pouco ao hábito instituído, nalguma situação que lhes pareça mentira, em vez de nem se manifestarem, olham a outra pessoa nos olhos  e lhe dizem, letra por letra...
Não acredito em ti!
 
Detesto ,como se diz por aqui, ser ''comido'' por parvo. Irra!
Epá, posso não ser o tipo mais esperto e perspicaz do mundo , mas, desculpem-me a imodéstia, também não sou o maior dos ''burros'', daqueles que  são ''enrolados'' até com aquelas patranhas que só acontecem mesmo nos filmes. E algumas , de tão fantásticas e surreais que são , nem nos filmes aparecem!
Bem... Aproveitem a música, que , na minha opinião, até é bem gira.
segredo revelado: Há quem prefira o doce sabor de uma mentira piedosa, mas não é o meu caso. Prefiro muito mais que me firam com uma verdade dolorosa ou inconveniente.
'' A alma reluta em ser privada da verdade.'' (Epicteto)
''Conhecer a verdade não é o mesmo que amá-la e amar a verdade não equivale a deleitar-se com ela. ''(Confúcio)
''É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja.'' (Demóstenes)
''O inverso da verdade tem dez mil formas e um campo ilimitado.'' (Michel Euquem de Montaigne)
''Todas as pessoas descrevem-se como modelos de sinceridade. ''(Tennessee Williams).
.....
As coisas que estes fulanos sabiam!

03.09.10

a morte depois da vida


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Qual é a coisa que temos como certa, logo desde o nosso primeiro minuto de vida?  A morte.

Ninguém lhe foge , independentemente da idade , do estatuto social, da riqueza, da beleza , da bondade (ou não),das crenças religiosas,...

A morte deve ser o acontecimento mais democrático desta nossa sociedade. Chega para todos.. chega a todos.

Apesar de saber que a morte é inevitável, não deixa de me fazer  uma certa (muita!) impressão, que ela seja tão imparcial como é, chegada a hora de levar consigo mais uma vida.

Se morrem pessoas , adultas, já octogenárias e com uma longa vida, também morrem jovens adultos, daqueles que ainda nem chegaram à idade com que morreu Cristo, com tantos sonhos por sonhar e realizar, com tantos planos para um futuro melhor. E as crianças!

Moro numa terriola pequena, onde todos se conhecem e onde se sabe quase tudo sobre todos. Numa terrinha com tão poucos acontecimentos capazes de juntar uma grande parte da população, por mais mórbido e estranho que pareça, os funerais são momentos de reunião.

Na última semana, infelizmente , houveram 2 oportunidades de se reunir muita gente. Pena que não fosse por um motivo mais alegre.Pena que fosse uma reunião em redor de um caixão, num ambiente de tristeza e pesar.

 

 

 

Duas mortes, tão iguais , mas tão diferentes.  Morreu um jovem de 28 anos , ainda na flor da idade, casado há menos de 2 anos, cheio de planos imediatos e futuros. Morreu um senhor de 87 anos , casado, com filhos já adultos, com netos, com toda a experiência acumulada durante uma longa vida e , devido à idade avançada , já com poucos planos e projectos.

Duas pessoas tão diferentes em tudo , mas tão iguais quando o coração pára de bater e se pára de respirar. Não importa que um tenha morrido num violento acidente de mota , nem importa que o outro tenha morrido no decorrer de uma operação cirúrgica. Feito o balanço , importa sim que morreram 2 pessoas e que umas quantas dezenas de outras pessoas que lhes eram próximas ,morreram também um pouco e ficaram mais pobres no que toca a riqueza humana.

Em ambos os casos , é impossível dizer que não há sofrimento por parte de familiares e amigos, mas é, a meu ver, muito mais doloroso e criador de sentimentos de revolta, raiva mesmo, a morte de um jovem de 28 anos.

Coitado, pensava ir passar um tempinho de férias a Espanha. Mal ele, ou qualquer um de nós, pensava que nunca iria fazer essa viagem. Fez uma viagem , mas, para todos os que nisso acreditem, para muito mais longe, para o Céu.

Desta vez, nesta viagem , não podes levar a mota , T. Boa viagem T.. Descansa em paz.!

''Ti'' Z., boa jogatana de cartas com os anjos. Descanse em paz!

 

 

 

segredo revelado: Há quem acredite na vida depois da morte. É bem mais reconfortante pensar assim.

Eu não penso assim. A única e grande certeza que tenho a respeito da morte , é que ela um dia chegará também para mim. Se depois da morte há vida eterna? Não sei, mas não creio. Creio sim na morte depois da vida. Essa sim, é uma verdade incontestável.

...

A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais. (Epicuro)

 

Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.(Sigmund Freud)

 

Ó doçura da vida: Agonizar a toda a hora sob a pena da morte, em vez de morrer de um só golpe.(William Shakespeare)

 

Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro.(Confúcio)